quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Chegou ao Ponto de Encontro...o Sol e o Mar


Mar, metade da minha alma é feita de maresia

Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,

Que há no vasto clamor da maré cheia,

Que nunca nenhum bem me satisfez.

E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia

Mais fortes se levantam outra vez,

Que após cada queda caminho para a vida,

Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal

É porque também tu revoltado e teatral

Fazes soar a tua dor pelas alturas.

E se antes de tudo odeio e fujo

O que é impuro, profano e sujo,

É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner

2 comentários:

almagrande disse...

E nós não sabemos viver sem ele, um mês de chuva e parecemos umas baratas tontas. Eu já ando a pensar tirar o barquinho do cabanal.

rouxinol de Bernardim disse...

Sophia, a sempiterna Sophia em todo o seu esplendor!!!