domingo, 21 de setembro de 2008

Costa Nova-Romaria da Senhora da Saúde

A Romaria da Senhora da Saúde na Costa Nova , sempre no último fim de semana de Setembro, encerra a minha estadia na Costa Nova de forma permanente.Sim, porque aos fins de semana se o tempo for bom lá estou eu nem que seja para um cafezito no "Ti Pires" no "quiosque da Olímpia" a comprar o jornal..ou a fazer uma visita ao mar que o mar que eu gosto não é azul nem verde..é cinzento e branco..revolto e agressivo.


As fotos antigas desta romaria são do trabalho do Sr. Eng. Senos da Fonseca.



Hoje em dia a visita de dezenas de barcos moliceiros à festa terminou..resta-nos uma regatas com bateirase a vista de um ou dois moliceiros




"....Em 28 de Outubro de 1889, foi decidido construir no areal, ali logo abaixo da «Lomba» ,em situação estrategicamente escolhida para servir pescadores e veraneantes ,«a capelinha branca» de culto à Nª. Sr.ª da Saúde ,com compostura e dimensão, suficientes, para o tagaté à alma, em serena cruzada evangélica..."Senos da Fonseca


Há no entanto sempre um misto para mim de alegria e nostalgia pelo fim de uma época-
Nada como relembrar o célebre poema do ilustre Ilhavense (Prof. Gulhermino a que a esta nostalgia lhe dedicou um poema musicado que ainda um dia hei-de conseguir colocar no blog "Saudades da Praia"


Nota:Fac simile da folha onde foi pela primeira vez datilografrado o poema gentilmente cedido pelo filho do autor Aníbal Ramalheira.

domingo, 14 de setembro de 2008

Casas com História na Costa Nova-"A Marisqueira do Fundo"




Palacete mandado construir pela famosa família Pinto Basto, viria lá mais tarde a ser instalada a Pensão «Astória», gerida por Ana dos Santos Figueiredo, a que seguiu a «Marisqueira», do galego Otero.(Meu avô) da qual foi proprietário até à sua demolição (por expropiação camarária)para fazerem uma ligação mais recta à praia da Vagueira.
Tive no entanto ainda o privilégio de aí morar até à idade dos 12 anos.Das melhores recordações que tenho eram as sestas nos quartos à escolha cujas paredes confinavam com a Ria e que delícia era ouvir o "chap chap" das aguas a bater nas paredes externas nas subidas e descidas da maré

Casas com História na Costa Nova-Palheiro de José Estevão



"Aforamento do terreno Baldio entre a Costa Nova e a Barra a José
Estêvão em 20 Dez de 1860"

Escritura de emprazamento que faz a Camara Municipal do concelho de Ilhavo aos Excelentíssimos
José Estevão Coelho de Magalhães e Mulher Dona Rifa de Miranda Magalhães da cidade de
Aveiro.
Saibam quantos este público instrumento de escritura de emprazamento ou como em direito melhor
lugar haJa e dizer-se possa virem que no ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1nil e
oitocentos e sessenta, aos vinte dias do mês de Dezembro do dito ano nesta vila de lUtavo e Paços
do concelho dela, na Sala das Sessões lYI uwicipais deste concelho, aonde eu tabelião vim chamado
pelos membros deste município para o caso do presente instrumento ,: aqui sendo presentes em
pessoas de uma parte o Corpo JJl1micipal deste concelho constituído nas pessoas do Presidente -
José Gonçalves dos A11jOS - Vice-Presidente, Manuel António Ramos Loureiro -'-- Fiscal, José de
0l1'veira Craveiro - Vogais, Manuel Ntmes da Fonseca e João A ntónio Feneira e da outra o Padre
José Simões Chuva como procurador dos Excelentíssimos aforantes José Estevão Coelho de M
agalhães e mulher Dona Rita de M iranda Magalhães(….)
me foi dito, que no sítio da Costa Nova para o lado da Barra de A veiro existia UMA PORÇÃO de
areal inculto, que pertencia aos baldios públicos deste concelho, mas que no estado em que se
achava de nenhum proveito era para o município deste concelho; e por isso eles membros desta
Câmara tinham resolvido dá-lo de aforamento a quem maior foro oferecesse, para cujo fim ti'nham
mandado medir e demarcar o referido terreno, e arbitrar-lhe o foro por louvados e precedendo
editais tinham posto em praça aquele aforamento, sendo o lanço do maior foro dado pelo segundo
outorgante, o Excelentíssimo José Estevão Coelho de M agalhães, o qual ofereceu o foro de mil e
duzentos e cinquenta reis pago nos Cofres do Município no dia trinta de Junho de cada ano e
laudémio da quarentena (…)
= ALVARÁ DE CONFIRMAÇÃO DE AFORAMENTO = José Ferreira da Cunha e Sousa
Secretário Geral servindo de Governador Civil do Distrito de Aveiro por Sua Magestade
fidelíssima, a quem Deus guarde. - Faço saber que por José Estevão Coelho de Magalhães, natural
desta cidade de A veiro, foi tomado de aforamento em fateusim perpétuo a CâmaraMunicipal do
concelho de Ìlhavo por auto de arrematação em praça pública no primeiro deMaio deste ano e pelo
foro anual de mil e duzentos e cinquenta reis metal e laudémio de quarentena, um terreno de areal
baldio, sito entre a Costa Nova do Prado, e o paredão da barra desta mesma cidade, cuja extensão e
confrontação são as seguintes: - Tem pelo lado do sul duzentos e quarenta metros de largura,
partindo a linha de demarcação por este lado, de um ponto, onde se cravou uma estaca, ao nascente
da extrema, pelo mesmo lado do sul, da Cerca ou Tapada, que já aí possui, junto do seu palheiro, ou
casa de habitação no tempo dos banhos, o dito José Estevão Coelho de Magalhães, a qual Cêrca,
assim como a dita casa de habitação e mais pertenças ficam dentro da dita demarcação; e fixado
aquele ponto por forma tal, que sendo o vértice de um ângulo formado pelas linhas de demarcação
do sul, e do nascente, corra a primeira pela extrema da dita tapada, e se prolonguem para poente na
mesma direcção dela até à dita extensão de duzentos e quarenta metros, e vá a segunda do nascente,
pela frente da casa de habitação, recta até à extremidade nascente, norte da dita tapada, ou Cêrca,
correndo paraIela à extrema do átrio que se achana frente do palheiro principal oude habitação e
passando a distancia de dois metros dessa extrema do dito átrio :pelo poente tem de comprimento
trezentos e quinze metros e setenta centrimetros,em linha recta, partindo do poente onde finda a
linha do lado do sul, e seguindo em direitura a barra, por modo que passe a um metro de distância
da extremidade nascente de uma obra de alvenaria, que serviu de base a uma Pirâmide ou guarda de
madeira, que em tempo existiu ao sul da barra, para servir de sinal aos navegantes, findando a dita
linha à distância de cinquenta metros da extremidade sul do paedão da barra; pelo nascente não foi
medido este terreno, mas é demarcado pela forma seguinte: partindo do lado do sul, do ponto iá
indicado quando se tratou da demarcação por esse lado, e vindo em recta pela frente da propriedade
do dito José Estevão, como já fica dito, paralela a 1inha da extremidade do átrio fronteira ou
palheiro principal ou de habitação na d1:stância de dois metros dessa extremidade e até ao fim da
mesma proprriedade, aí deixa a linha de ser recta, e se vai prolongando para o norte, acompanhando
todas as sinuosidades ou ângulos reentrantes e salientes da margem da Ria, até parar à distância de
trinta metros da extremidade Sul do paredão da barra, ficando entre esta linha e a dita margem da
Ria, em preamar ,um espaço de dez metros de largura em todo o comprimento, para estrada pública,
serviço de pesca, de pequenas redes, que na mesma ria pescam, cam1:nho de Sirga, e para todos os
mais usos públicos, com declaração porém de que por constar que por este lado do Nascente, e já
perto do paredão, há um terreno, que se diz ser de propriedade particular, se entende que fica de
fora da demarcação deste aforamento, esse terreno que se mostra particular, devendo na parte, que
com ele confinar o terreno aforado, ficar entre um e outro, a dita estrada de dois metros de largura,
por forma que a comunicação da Costa Nova para a Barra pela margem do rio não seja
interrompida, e pelo norte se limita o dito terreno por uma linha recta tirada dos pontos onde por
esse lado findam as linhas do. nascente e poente, a saber: esta a cinquienta e aquela a trinta metros
do paredão da barra, Sendo obrigado ele enfiteuta a pagar anualmente o foro já dito de. mil e
duzentos e cinquenta reis metal no dia trinta de J1tnho de cada ano na Tesouraria da Câmara
Municipal de Ilhavo, livre de qualquer tributo, ou onus presente ou futuro; a não impedir o
embarque e desembarque assim como a pesca na margem do Rio; a assinar escritura pública deste
aforamento, de que será entregue um traslado à Câmara, e à sua custa com declaração de que o foro
só começa a correr depois de feita essa escritura, e tomada por ele enfiteuta posse do terreno
aforado, a deixar para serventia pública, duas, ou três estradas de seis metros de largura cada uma
ao través do dito terreno, que deem comunicação da Ria para a beira do mar, conforme à Câmara
parecer necessário e nos pontos que entre ela, e o dito enfiteuta for convencionado, devendo
consignar-se na escritura, tanto os locais como o número dessas estradas, que serão como dito ,fica,
duas ou três, conforme parecer necessário e a distâncias convenientes,obrigando-se aCâmara pela
sua parte a não vedar ao Enfiteuta o ingresso na propriedade aforada de quanto for necessário para o
fabrico dela(…)
mantendo-o no livre uso da mesma propriedade para dela dispôr como entender em conformidade
com as leis, que regulam semelhantes contratos. E por quanto se mostra do processo acharem-se
nele cumpridas todas as solenidades, que as leis preservam para tais actos, sendo o mesmo processo
apresentado em conselho de distrito na Sessão de onze de Agosto Último, atendendo o tribunal às
informações havidas sobre a utilidade e conveniência deste aforamento,oo aprovou por seu Acordão
tomado na mesma Sessão , cujo teor é o seguinte(…)
:continuaram os membros da Câmara dizendo, que pela presente escritura davam de emprazamento
em fateusim perPétuo aos sobreditos Excelentíssimos José Estevão C oelho de lVI agalhiies e
mulher Dona Rita de NI iranda M agalhiies para eles e seus herdeiros o sobredito Areal incl1lto,
medido, confrontado; a que tudo foram testemunhas presencÚIÚ, Nlalj,ltel José Gomes, casado,
boticário e o Padre José Cândido Gomes de Oliveira Vidal, que aqui velO assinar com os referidos
outorgantes depois deste lhe ser lido por mim Francisco j osé de Oliveira M~oltrão, Tabelião que o
escrevi e assi-nei em pÚblico e raso. O Presidente José Gonçalves dos Anjos. O Vice-Presidente
Manuel António Ramos de Loureiro. O Fiscal, José de Oliveira .Craveiro. O Vogal 2\laJ11tel
Nunes da Fonseca. O Vogal João António Ferreira. Como procurador e como recebedor do próprio
José Simões Chlwa. lvI aJ11tel José GOl1-tes. José Cândido Gomes de Oliveira V l:dal. Em
testelJlunho (sinal do Tabelião) de verdade. O T abe·, lÚlo Francisco José de Oliveira M ourelo.
Grátis registo grátis.
Como nas cerimónias da inauguração da estátua, que a devoção do povo de Aveiro lhe ergueu, seu
filho haveria de recordar, "aqui preparava já. em meia dÚzia de J'eiras, à beira do Oceano - imagem
tdo viva da sua alma! - o recanto pacifico onde 'mais tarde a sua velMce se extinguisse, na grande
acalmação do amor da sua terra e na contemPlação panteísta da natureza!

Fonte : Doc família José Estêvão ,aquisição do terreno que lhe fiz, incluído naquela extensão. Nota
Este doc é o mesmo citado por Madahil no ADA pp285-289

A Regata dos Grandes Veleiros em Ilhavo-Parte II



A História da Tall Ships

Esta Regata internacional tem quase a mesma rota comercial que os veleiros tradicionais do passado usavam para cruzar o Atlântico Norte, uma rota a sul para aproveitar os ventos predominantes.

De Falmouth a Ílhavo (Porto de Aveiro) são cerca de 630 milhas náuticas su-sudoeste. Com, Ushant (noroeste de França) e Cabo Finisterra (noroeste de Espanha) e os ventos predominantes de oeste para noroeste, a primeira etapa da regata pode apresentar um número de desafios tácticos para a frota. O que será quase certo para os veleiros com velame de forma quadrada que não conseguem andar contra o vento “bolinar” como as embarcações com velas tradicionais (vela grande e velas de proa).

De Ílhavo ao Funchal são mais 630 milhas náuticas sudoeste em mar alto, os desafios tácticos para melhor aproveitar o vento e a corrente podem ser decisivos para o resultado final.

As três comunidades de acolhimento são, agora, consideradas "Portos Amigos" das escolas de vela, oferecendo apoio e serviços a barcos escola durante todo o ano. Os três portos vêm a sua participação nesta Regata como continuadores desta filosofia, assim como, a possibilidade de oferecerem às suas comunidades um espectáculo único quando a frota estiver no porto.


Fonte: Porto de Aveiro

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Vitor Jara



Somos cinco mil
en esta pequeña parte de la ciudad.
Somos cinco mil
¿ Cuántos seremos en total
en las ciudades y en todo el país ?
Solo aqui
diez mil manos siembran
y hacen andar las fabricas.

¡ Cuánta humanidad
con hambre, frio, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura !

Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.

Un muerto, un golpeado como jamas creí
se podria golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores
uno saltó al vacio,
otro golpeandose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.

¡ Qué espanto causa el rostro del fascismo !
Llevan a cabo sus planes con precisión artera
Sin importarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroismo
¿ Es este el mundo que creaste, dios mio ?
¿Para esto tus siete dias de asombro y trabajo ?
en estas cuatro murallas solo existe un numero
que no progresa,
que lentamente querrá más muerte.

Pero de pronto me golpea la conciencia
y veo esta marea sin latido,
pero con el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona
llena de dulzura.
¿ Y Mexico, Cuba y el mundo ?
¡ Que griten esta ignominia !
Somos diez mil manos menos
que no producen.

¿Cuántos somos en toda la Patria?
La sangre del companero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas
Asi golpeará nuestro puño nuevamente

¡Canto que mal me sales
Cuando tengo que cantar espanto!
Espanto como el que vivo
como el que muero, espanto.
De verme entre tanto y tantos
momentos del infinito
en que el silencio y el grito
son las metas de este canto.
Lo que veo nunca vi,
lo que he sentido y que siento
hara brotar el momento...


(Victor Jara, Estadio Chile, Septiembre 1973)
Nota da Marieke: No dia doze de setembro do ano de 1973, no dia seguinte ao golpe militar, ele foi preso na faculdade onde lecionava. Coerente com seus ideais, ele permaneceu a noite toda junto aos alunos e corpo docente. Depois foram 48 horas de torturas sem parar até a morte, calando uma das vozes mas incomodas para o novo regime fascista que se instalava no país. Calaram a sua voz mas não sua música, e muito menos as suas idéias, transformando-o num mártir.




PS: Versos colocados no Ponto de Encontro em comentário pelo Xaquim

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de Setembro de 1973-Chove sobre Santiago



Em 11 de Setembro de 1973 deu-se na Cidade de Santiago onde vivia e vive a minha familia um golpe militar sangrento.A operação “Chove Sobre Santiago”, executada pelas forças mais reaccionárias e conservadoras do Chile, que teve como ponta de lança as Forças Armadas, sob a direcção da Junta Militar encabeçada pelo general Augusto Pinochet, e contou com o inestimável apoio da CIA, do governo de Nixon e Kissinger e dos governos ditatoriais da América Latina conluiados com o imperialismo norte-americano na tristemente célebre "Operação Condor".
Chegava assim ao fim, envolta no maior banho de sangue que a América Latina conheceu nas ultimas décadas, a primeira experiência de transição democrática para o Socialismo do continente americano. Juntamente com Allende, morto durante o ataque a La Moneda, pereceram às mãos do exército chileno, dos esquadrões da morte e dos grupos de extrema-direita chilena, milhares de militantes e simpatizantes da Unidade Popular e de cidadãos anónimos, que acreditaram e alimentaram a esperança de um mundo melhor e de uma vida mais justa e morreram a lutar por ela.
Para eles, e para todos os que continuam a acreditar, aqui fica um tributo ao seu sacrifício e à sua coragem, nas palavras de alguém que sempre caminhou a seu lado:


En mi patria hay un monte.
En mi patria hay un río.

Ven conmigo.

La noche al monte sube.
El hambre baja al río.

Ven conmigo.

Quiénes son los que sufren?
No sé, pero son míos.

Ven conmigo.

No sé, pero me llaman
y me dicen «Sufrimos».

Ven conmigo.

Y me dicen: «Tu pueblo,
tu pueblo desdichado,
entre el monte y el río,

con hambre y con dolores,
no quiere luchar solo,
te está esperando, amigo».

Oh tú, la que yo amo,
pequeña, grano rojo
de trigo,
será dura la lucha,
la vida será dura,
pero vendrás conmigo.

Pablo Neruda


Nota pessoal: Nessa noite de 11 de Setembro de 1973 numa casa de Ribadetea(Galiza)foi proposta a abertura de uma garrafa de champanhe.Sem saber o significado do acto participei nele. Tomei conhecimento 24 horas depois do horror que tinha sucedido..é a nota mais vergonhosa do meu passado pouco político. A abertura do champanhe era a senha que o meu tio tinha recebido que o Golpe se iria efectuar e que estava a ser bem sucedido.
Hoje daqui (Portugal em 11 de Setembro de 2008)peço perdão a todos os chilenos que morreram e sofreram às mãos assassinas da Junta Militar .

sábado, 6 de setembro de 2008

XXX Encontro dos Engenheiros Electrotécnicos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra



Este fim de semana como todos os anos eu e os meus colegas de curso vamos reunir-nos para comer, beber e recordar,os 5 anos que passamos em Coimbra a queimar pestanas.
O Encontro deste ano é organizado por mim e claro como não podia deixar de ser é na Costa Nova.



A comida estará a cargo do Restaurante " A Marisqueira" de galegos claro, e as "medalhas comemorativas" serão Barricas de Ovos Moles pintadas à mão e espumante Diamante Negro das Caves Barrocão engarrafado de propósito para a ocasião(medalhado em Bruxelas)
Clicar na palavra Encontro....vou lá aos poucos colocando as fotos

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

NRP Vega desarmado para abate






O NAVIO-ESCOLA "VEGA", um yawl desenhado em 1948 por John G. Alden, foi construído por Henry Hinckley no EUA, em Maine em 1949. Foi lançado à água a 22 de Novembro de 1949, com o nome de "VALHALLA", foi seu primeiro proprietário Cammenis Catherwood.
Chamou-se depois "MAI TAI", "CURRITUK" e "JANIE C". Em 1964 foi adquirido por José Manuel de Mello que o baptizou de ARREDA IV.
No mesmo ano, o seu aparelho foi revisto por Sparkman & Stephens, ficando com a armação de sloop.
Oferecido ao Clube Náutico e Cadetes da Armada - CNOCA, em Fevereiro de 1973, recebeu o nome de VEGA. Foi aumentado ao efectivo dos navios da armada a 7 de Maio de 1976.
Desde de então que a sua missão é a formação marinheira e a prática de navegação dos cadetes da Escola Naval, efectuando viagens de instrução, embarques de fins-de-semana e regatas em Portugal e no estrangeiro.
Destaca-se uma viagem aos EUA, Nova Iorque em 1976 às comemorações do Bicentenário dos EUA, a regata do Jubileu da Rainha de Inglaterra em 1977, em 1982 efectuou a regata Falmouth - Lisboa - Southampton, em 1983 efectuou a regata do Trofeu Infante entre Lisboa - Horta - Lisboa. O navio conta com mais de uma dezena regatas às Canárias e com inúmeras regatas em Portugal Continental, tendo efectuado em 2003 a regata Internacional Canárias - Madeira entre Lanzarote e o Funchal

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

De 20 a 23 de Setembro em ILHAVO-Regata dos Grandes Veleiros



Localizado na região centro-norte de Portugal, numa área geográfica plana perto da zona costeira, o Município de Ílhavo abraça a Ria e aventura-se no Mar.
Terra de arrais corajosos, berço de capitães, pilotos e marinheiros, o Município de Ílhavo assistiu durante o século passado ao desenvolvimento das principais indústrias relacionadas com a actividade marítima. Ainda hoje o sector da pesca artesanal, costeira e longínqua, tem uma relevante importância, ao lado de um sector de indústria transformadora do pescado.
O Mar, sendo uma realidade viva da sua geografia, história e cultura tem cada vez mais um papel importante como cartaz turístico, materializado nas suas belas Praias da Barra e da Costa Nova.

A Regata
No ano em que se comemora os 110 Anos da Restauração do Município, a Câmara Municipal vai promover o maior evento de sempre realizado no Concelho ao acolher, no Terminal Norte do Porto de Aveiro, a Regata Comemorativa dos 500 Anos do Funchal 2008, entre os dias 20 e 23 de Setembro.
Esta iniciativa constitui uma aposta importante na promoção do Município de Ílhavo e da região, dando seguimento ao trabalho realizado de promoção dos valores da Vida e do Mar, à nossa história marítima e à capacidade conquistada na organização de vários eventos, nomeadamente a “Experiência Mar Creoula”.

A frota de grandes veleiros partirá a 13 de Setembro do porto histórico de Falmouth, Inglaterra, e chegará a Ílhavo (Porto de Aveiro) no dia 20 de Setembro, onde permanecerá 3 dias. No dia 23 de Setembro os veleiros seguirão viagem para o Funchal, Madeira, onde chegarão a 2 de Outubro.

A Câmara Municípal de Ílhavo irá proporcionar, em condições extremamente vantajosas, o embarque de um total máximo de 100 instruendos a bordo das diversas embarcações participantes, quer oriundos do nosso Município, quer de outros Municípios de Portugal.

Veleiros participantes


Creoula




Classe A
Alexander von Humboldt
Astrid
Capitan Miranda
Creoula
Cuauhtémoc
Kaliakra
Mir
Pelican
Pogoria
Sedov
Shabab Oman





Far Barcelona

Classe B
Far Barcelona
Tecla




Juan de Langara

Classe C
Gedania
Juan de Langara
Sarie Marais of Plym
Spaniel
Viva

Juan de Langara


Endeavour



Classe D
Challenger 3
Challenger 4
Endeavour
Steppe

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Fado Português



O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

José Régio

(Sugestão poética do professor Fernando Martins no seu blogue....Pela Positiva)

7º Aniversário do Navio Museu Santo André


Navio-Museu Santo André 7.º Aniversário (60 anos do navio)
Agosto de 2008

Os homens do mar crêem que os navios - os navios que foram os seus, em especial - têm vida e caprichos, afectos e humores. A vivificação do Santo André, consumada há sete anos atrás com a transformação do velho arrastão em navio-museu, trouxe às memórias da pesca do bacalhau um extraordinário suporte patrimonial. Antes de ser museu, porém, o Santo André foi um navio de pesca semelhante a outros. Um arrastão bacalhoeiro “lateral”, construído na Holanda, em 1948. Ao tempo, era um navio moderno, bem apetrechado de máquinas e equipamentos de pesca. Dado o destino cultural que o Santo André acabou por ter, importa partilhar com o público a sua longa vida de mar, as suas memórias vividas e experimentadas. É esse o sentido principal do programa que se propõe.

Álvaro Garrido
Director do Museu Marítimo de Ílhavo

domingo, 24 de agosto de 2008

Praia no Jardim Oudinot inaugurada há 14 dias está cheia de lixo



(....A nova praia fluvial do Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, inaugurada a 10 deste mês, já causa reacções de desagrado da parte dos utentes. O município presidido por Ribau Esteves assume que são necessárias melhorias no novo equipamento.

"A areia não é, de facto, muito branquinha", queixa-se Milu, uma avó residente na cidade portuária, que resolveu passar naquela zona balnear algumas horas da manhã fazendo companhia à filha e netos que não resistiram a molhar os pés, apesar das dúvidas. Algo a que João Cândido nem se atreve. Este morador queixa-se da "falta de qualidade" da água. "Ali não tomo banho, aquilo é só lixo", garante, mostrando insatisfação com o resultado de uma das intervenções emblemáticas do parque de lazer que foi dotado ainda de um ancoradouro e amplo parque de estacionamento.

O entulho acumula-se no fundo da antiga praia "dos Tesos", como sempre foi conhecida entre os residentes, tornando também impossível a navegação nos esteiros com a maré baixa.

"O lodo vai tomar conta daquilo tudo se nada for feito antes", vaticina o mesmo cidadão que deixou igual "aviso" ao próprio presidente da câmara aquando da inauguração das obras de requalificação do Jardim Oudinot, num investimento de três milhões de euros, junto ao Porto de Aveiro.

Desvalorizando as críticas, o autarca de Ílhavo, Ribau Esteves, admitiu já que será necessário proceder "à limpeza" da água e da areia. "Começámos há alguns meses a monitorizar a qualidade ambiental. É uma praia excelente, tem as melhores condições naturais. Não é o olho de um cidadão que decide isso", contrapõe. Obtida a classificação "formal" como praia fluvial junto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, a autarquia avançará com a candidatura para a obtenção da bandeira azul......)
Fonte : Diário de Notícias

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Medalha de Ouro no Triplo Salto-Pequim 2008

Como se passa rapidamente de BESTAS A BESTIAIS-Sem comentários


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

NOVA E MERECIDA HOMENAGEM AO CAPITÂO FRANCISCO MARQUES

No próximo dia 22 de Agosto, pelas 18 horas e 30 minutos, a bordo do Navio Museu Santo André, vai realizar-se mais uma justa e merecida homenagem ao Ilustre Ilhavense Capitão Francisco Marques, com a projecção do filme "A FAINA MAIOR DO CAPITÃO FRANCISCO MARQUES "



O capitão da Marinha Mercante Francisco Correia Marques, foi o último comandante do lugre Creoula em campanhas de pesca do bacalhau.
Natural de Ílhavo, onde nasceu em 1930, termina em 1949 o seu curso de pilotagem e, em 1953 é já comandante do lugre Adélia Maria, tornando-se no mais jovem capitão da frota do bacalhau. Depois de mais de 28 anos de mar, fez a sua última viagem em 1989.
Regressado à sua terra natal começa a trabalhar no Grupo de Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo, recolhendo e catalogando um vasto espólio, de que resultaria a exposição Faina Maior. Em 1996 escreve, em parceria com Ana Maria Lopes, o livro “Faina Maior, a Pesca do Bacalhau nos Bancos da Terra Nova”. Em 1998 embarca de novo no Creoula, agora como Director de Treino dos jovens portugueses e canadianos durante o projecto “De Novo na Terra Nova” organizado pelos Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo.



De 1999 a 2002 é Director do Museu Marítimo de Ílhavo onde dirigiu os trabalhos de transferência do Museu para as suas actuais instalações e da adequação do seu discurso museológico. Ali projectou e executou a réplica de um iate bacalhoeiro, em tamanho natural, que é hoje o principal ícone da exposição permanente daquele museu, numa sala que ostenta hoje o seu nome.
Sempre ligado às coisas do mar eram frequentes as suas visitas à Capitania do Porto de Aveiro e ao Arquivo Central da Marinha em busca de elementos para as suas pesquisas. Participa também, em 2001, no I congresso Internacional da História da Pesca do Bacalhau e escreve Creoula – A Pesca do Bacalhau no Crepúsculo da Navegação à Vela.




Em 2002 é entronizado como confrade da Confraria Gastronómica do Bacalhau e, deixada a direcção do Museu, volta aos corpos sociais do Grupo de Amigos do Museu.
Desenvolve então intensa actividade de investigação e divulgação sobre tudo o que respeita à pesca do bacalhau, participando em vários encontros, entrevistas, colóquios e conferências em instituições científicas ou estabelecimentos de ensino.



A amizade com O Sr Capitão com a Dona Zerinhas com a filha Rosário é algo que guardo só para mim.

sábado, 16 de agosto de 2008

Fotografia sobre memórias da pesca do bacalhau


Porões da Memória
NO MUSEU MARÍTIMO DE ILHAVO está patente ao público na sequência do lançamento do livro "MEMÓRIAS DE UM PESCADOR" uma exposição de fotografia subordinada ao tema NOS PORÕES DA MEMÓRIA.
A memória das grandes sagas do trabalho no mar só serão menos frágeis e mais plurais se as suas narrativas partilhadas no espaço público se alimentarem de testemunhos subjectivos e visuais.
As fotografias obtidas nos interstícios das fainas do bacalhau, ora destinadas ao acto íntimo de recordar, ora vertidas em longos álbuns compostos com uma certa intenção documental, confirmam a natureza fortemente visual das culturas marítimas.
Muitos foram os tripulantes das frotas bacalhoeiras que se deram ao gosto de fazer fotografias do estranho mas belo mundo em que se moviam. Não poucos "oficiais" e alguns pescadores fotografavam em silêncio, quais actores efémeros de uma vida que sabiam extraordinária e condenada aos rituais da recordação, ao arquivo nos "porões da memória"...
Esta exposição reúne três conjuntos de fotografias propositadamente diversos: um capitão, um piloto e um enfermeiro partilham imagens de sua própria autoria, fragmentos de uma vida cruel que ainda assim recordam com saudade!

Álvaro Garrido
Director do Museu Marítimo de Ílhavo

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

POEMA «MOLICEIROS»

Vão no longe moliceiros
De asas brancas, a voar,
Ao vento, leves, ligeiros,
Por sobre a ria a singrar.
Vão no longe moliceiros
De grandes velas a arfar.

Andam na faina do dia,
Desde a manhã ao sol-pôr.
Buscam nas águas da ria,
— O moliço, verde cor.
Andam na faina do dia,
Colorido, encantador.





Vogam num lago de prata,
Circundado de cristal,
Qual sonho de serenata
Numa noite sensual!
Vogam num lago de prata
Sob o céu celestial.

Cortam as ondas de espuma
Pelas águas a boiar,
E essas vagas, uma a uma,
Vão mais longe desmaiar.
Cortam as ondas de espuma





Erguidas na preia-mar.
Parecem os bandos de aves,
Que no céu vão a subir,
E depois voltam, suaves,
Muito leves, a cair.
Parecem os bandos de aves,
A luz do sol a fugir.

Descrevem curvas serenas,
Como talhada magia,
Umas maiores, mais pequenas,
Duma estranha bizarria.
Descrevem curvas serenas
Nas transparências da ria.







As proas são rendilhadas
por coloridas pinturas,
Com frases adequadas
As populares formosuras.
As proas são rendilhadas,
São ornadas de figuras.

Vão no longe moliceiros,
De asas brancas a voar...
Singram na ria altaneiros,
A luz do sol, ao luar,
Vão no longe moliceiros,
— Majestoso deslizar!


Poema: Amadeu de Sousa (in Colectânea Poética)
Fotos:Pedro Ribau

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ponto de Encontro entre os States e o Brasil

Encontro histórico entre o Pato Donald e o Zé Carioca ...são férias deliciem-se

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quarta-feira, 30 de julho de 2008

FESTIVAL DO MARISCO NA COSTA NOVA




Costa Nova: Quatro dias de mariscada
O II Festival de Marisco da Costa Nova começa hoje. Até domingo estima-se que seja consumida meia tonelada de marisco

A partir de hoje, e durante quatro dias, o relvado da Costa Nova vai ser “invadido” por camarões, lagostas, sapateiras, amêijoas, percebes, mexilhões e muito mais. Trata-se da segunda edição do Festival de Marisco da Ria de Aveiro, uma organização conjunta do Illiabum Clube e da Câmara Municipal de Ílhavo, que conseguiu atrair, no ano passado, cerca de 3.500 visitantes. Este evento, que integra o programa oficial das festas do município de Ílhavo “Mar Agosto”, está a ser preparado há várias semanas e, de acordo com Rui Dias, responsável do Illiabum, implica uma logística complicada. “Recebemos neste espaço muitas centenas de pessoas e queremos proporcionar o melhor atendimento possível e um serviço optimizado”, explica, referindo-se à rapidez, eficiência e qualidade. Para isso, a organização conta com a colaboração de 75 voluntários, que estão há vários dias a preparar o espaço na Costa Nova.
Este ano vão ser introduzidas algumas alterações à forma como o Festival vai decorrer, a começar pela recepção do público. “Vamos ter duas recepções, uma a Norte e outra a Sul, onde as pessoas vão poder adquirir as senhas dos pratos que querem provar. Vai ainda estar à venda uma caneca com o logótipo do Festival que dá direito a ser cheia duas vezes”, adiantou ao nosso jornal o presidente da Comissão Administrativa do Illiabum Clube, assumindo boas perspectivas de superar o número de visitantes do ano passado e a quantidade de marisco consumido, cerca de 500 quilos.
As novidades estendem-se ainda à forma como o espaço vai estar organizado. Os visitantes vão poder circular por quatro tendas, duas delas inteiramente dedicadas à Mariscadas, o serviço mais solicitado durante a primeira edição do Festival. Trata-se de uma travessa com dois quilos de marisco, onde há lugar para lagosta, sapateira, camarão, mexilhão, amêijoa, burriés e percebes. O preço oscila entre os 30 e os 40 euros.

Petiscos ao dispor a partir de três euros

Há ainda a tenda dos pratos de arroz e feijoadas (entre 5 e 7 euros) e, por fim, a tenda dos petiscos (entre os 3 e os 5 euros). A isto juntam-se três postos de bebidas espalhados pelo recinto (bebidas de cápsula: 1 euro, garrafa vinho Campo Largo: 6 euros). Vão estar disponíveis 350 lugares sentados e, pela primeira vez, lugares de pé.
De acordo com Rui Dias, o apoio da Câmara Municipal na realização deste evento é essencial. “Sem ela seria impensável por em prática este projecto”, garante, referindo-se ao apoio logístico, despesas do aluguer das tendas, da água, gás, electricidade, saneamento, além da divulgação. Integrado no programa oficial das festas do município de Ílhavo, o Festival de Marisco começa hoje e prolonga-se até ao almoço de domingo.
Fonte:Diário de Aveiro
Sandra Simões

Ponto de Encontro no Castro da Tronha



Acabadinho de ser colocado no Youtube um amigo galego enviou-me este vídeo que por acaso é O PRIMEIRO QUE ELE COLOCA NO YOUTUBE (Parabéns).
O Castro de Troña fica entre Pias e as termas de MONDARIZ no CONDADO de PONTEAREAS que por sinal é a minha terra.

Ponto de Encontro com Português que troca piano pela PESCA DO BACALHAU

PARTE I



PARTE II




João Balula Cid..troca por necessidade o piano em Lisboa pela pesca do bacalhau nas Ilhas LOFOTEM na NORUEGA. Está neste momento a coordenar uma equipa de 5 homens, oriundos de ILHAVO, numa empresa LUSO/NORUEGUESA.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Poema para Férias de Mar






Poema da malta das naus

Lancei ao mar um madeiro,

espetei-lhe um pau e um lençol.

Com palpite marinheiro

medi a altura do sol.



Deu-me o vento de feição,

levou-me ao cabo do mundo.

Pelote de vagabundo,

rebotalho de gibão.



Dormi no dorso das vagas,

pasmei na orla das praias,

arreneguei, roguei pragas,

mordi peloiros e zagaias.



Chamusquei o pêlo hirsuto,

tive o corpo em chagas vivas,

estalaram-me as gengivas,

apodreci de escorbuto.



Com a mão direita benzi-me,

com a direita esganei.

Mil vezes no chão, bati-me,

outras mil me levantei.



Meu riso de dentes podres

ecoou nas sete partidas.

Fundei cidades e vidas,

rompi as arcas e os odres.



Tremi no escuro da selva,

alambique de suores.

Estendi na areia e na relva

mulheres de todas as cores.



Moldei as chaves do mundo

a que outros chamaram seu,

mas quem mergulhou no fundo

Do sonho, esse, fui eu.



O meu sabor é diferente.

Provo-me e saibo-me a sal.

Não se nasce impunemente

nas praias de Portugal


António Gedeão

sexta-feira, 25 de julho de 2008

25 de Julho -Dia da Pátria Galega



Perde-se na raíz dos tempos a lenda de Santiago, mas todos os anos, ao dia 25 de Julho, festeja-se em Compostela e por toda a Galiza a memória do Apóstolo. Data em que, por se cobrir de tamanha simbologia, se comemora o Dia Nacional da Galiza (ou dia da Pátria Galega),Festividade quase única, poder-se-á mesmo dizer, já que congrega tradição religiosa e valorização da cultura de um povo que se retrata no património edificado, de que são exemplo as várias igrejas das paróquias em que se celebra o Apóstolo (de acordo com o Jornal A Voz da Galiza, são mais de cem as "parroquias" que festejam o apóstolo neste dia, divididas por A Coruña, Ourense, Lugo, Pontevedra e, claro está Santiago), em especial a catedral onde residem os restos mortais de "Santiago O Maior", com a valorização do património imaterial, isto é, a língua, a literatura, a gastronomia, os trajes, as tradições, os costumes e toda uma mescla de símbolos identitários, marca de um povo que se revê no seu passado e honra. Celebrando nas ruas, com o fogo de artíficio à meia-norte na Praça do Obradoiro, em Compostela, na missa, ao meio dia na catedral, ou por toda a Galiza onde aqui e acolá se ouvem gaitas, se comem "parriladas" ou "empanadas", se bebe o "albariño", ou se veste o traje a condizer, a Galiza perdura, num tempo por vezes avesso à História, um "fogar" de que Breogán ainda hoje se honraria.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

71 anos do Museu Marítimo de Ìlhavo



: 10h-24h Dia Aberto
: 10h-19h Visitas Guiadas
: 10h-17h Ateliers Temáticos de Serviço Educativo

: 21h30 Sessão Comemorativa
: Apresentação do projecto "Arquivo de Memórias da Pesca do Bacalhau"
: Inauguração da exposição "Nos Porões da Memória", com fotografias de João São Maros, Artur Seabra Oliveira e João Cruz

22h30 Espectáculo de acordeão e bateria no jardim interior do museu com João Gentil & Luís Formiga

Memórias de um Pescador



No Museu Marítimo de Ilhavo vai ser apresentado no próximo dia 9 de Agosto pelas 18 horas o livro MEMORIAS DE UM PESCACOR de João Laruncho de São Marcos. A apresentação da obra estará a cargo do Director do Museu.
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terça-feira, 22 de julho de 2008

O meu outro Ponto de Encontro-Santiago de Chile



Tinha já anteriormente explicado que além da Galiza e Portugal o meu outro Ponto de Encontro era Santiago.
Só voltarei (porque faz anos) a falar de Santiago em Setembro mas hoje e por causa de ligações pessoais a Santiago apeteceu-me ouvir--Vitor Jara
Para quem não saiba Víctor Lidio Jara Martínez foi um músico, compositor, cantor e diretor de teatro chileno.
Nascido numa familia de camponeses, tornou-se referência internacional da canção revolucionária. Foi assassinado barbaramente em 16 de setembro de 1973, em Santiago nos primeiros dias de repressão que se seguiram ao golpe de estado de Augusto Pinochet contra o governo do presidente Salvador Allende, ocorrido em 11 de setembro daquele ano.
Lecionava Jornalismo na Universidade de Chile.
Em Setembro próximo,contarei como, sem saber, numa noite de Setembro de 1973, eu bebi uma taça de champanhe sem saber o seu significado.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Passeio na Ria de Aveiro com meninos do Instituto Português de Oncologia do polo do Porto


Notícia saída no Diário de Aveiro de Domingo passado.
"...Para os mais novos o momento é de convívio. Para os pais, a oportunidade de trocar de experiências entre quem convive com o cancro infantil
Com o objectivo de proporcionar um “dia inesquecível”, a ÁVELA (Associação Aveirense de Vela de Cruzeiro) e a Acreditar realizaram, ontem, um passeio de barco pela Ria até São Jacinto, que reuniu crianças do Centro de Emergência Infantil de Aveiro e do Serviço de Pediatria Oncológica do IPO do Porto.

A iniciativa vai na quarta edição, na qual se inscreveram perto de 40 crianças, ainda que, de acordo com a organização, “nem todas conseguiram alta hospitalar para poder participar”.

O passeio foi acompanhado por voluntários e pessoal técnico do hospital, para quem a experiência é “muito positiva” para pais e crianças. Conceição Nunes, voluntária, considera que a iniciativa é uma oportunidade “fantástica”, porque “apesar de doentes, são crianças como todas as outras”.

Para Nazaré Martins, educadora de infância no IPO do Porto, o passeio “é muito importante para o estado de espírito dos meninos. É uma mais-valia para os mais novos, já que têm a capacidade de repor a normalidade no seu percurso de vida, já que daqui levam experiências necessárias ao seu crescimento”.

Para os pais, refere, “torna-se um espaço de encontro e de troca de experiências”. “Ao conversar com outros pais de crianças doentes em diferentes estados, percebem que a esperança não pode sair dos seus espíritos”.

O presidente da AVELA (Associação Aveirense de Vela de Cruzeiro), Paulo Reis, diz que esta é uma forma de aproximação à comunidade e de servir uma causa social. O responsável gostava de ver o seu exemplo repetido por outras instituições ou empresas. “Devia ser uma das suas prioridades colocar os seus meios ao serviço de causas maiores, dando alguma alegria a quem passa por dificuldades”, afirma.


A participar pela primeira vez neste passeio de barco, António Ramalho - pai de João Afonso, uma das crianças inscritas - tem por hábito integrar convívios do género. “São sempre momentos muito agradáveis, que funcionam como uma válvula de descompressão. Conseguimos conviver com outros pais, com quem trocamos experiências. É também uma forma de convívio com as crianças, contribuindo para consolidar laços afectivos, o que é muito importante para quem vive esta situação”, conclui.

Cláudia Carneiro

Testemunho da amizade Luso/Galega--A Batalha da Cambedo



Entre os dias 20 e 22 de Dezembro de 1946 a aldeia de Cambedo, antigo povo promíscuo pertencente a Chaves e vizinho de Oimbra, foi submetida a um terrível assédio por parte de efectivos armados portugueses e espanhóis com a intencionalidade de apressar três guerrilheiros galegos que se refugiavam na aldeia. Tratava-se do capitão García, de Juan e de Demetrio. Juan, homem querido na zona e idealizado depois da sua morte, morre no assalto. O capitão García, suicida-se. Demetrio é capturado e julgado por um Tribunal Militar Português, sendo preso no cárcere de Tarrafal (Cabo Verde e Lisboa) até que é libertado em 1965, marchando à França, onde morre. Numerosos vizinhos desta pequena aldeia conhecerão presídio por ter acolhido os seus vizinhos galegos, lutadores antifascistas, sem que houvesse no seu acto uma intencionalidade ideológica, eram somente solidários com aqueles que sofriam a sem razão da repressão fascista.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Nossa Senhora da Matemática

Este ano correu bem. Fui em peregrinação à Nossa senhora da Matemática, resultado:Este ano não fiquei deprimida com as notas dos putos os resultados dos exames foram excelentes... mas para que saibam eu continuo a ser a mesma professora , logo houve um milagre ....não foi mérito meu...foi mérito DELA.



Navio Museu Santo André-ILHAVO

De visita obrigatória a quem passar pelas bandas de Ilhavo, Aveiro, Costa Nova ou Barra....




0 navio-museu Santo André é um polo do Museu Maritimo de llhavo. Fez parte da frota portuguesa do bacalhau e pretende ilustrar as artes do arrasto



Este arrastâo lateral (ou "classico") nasceu em 1948, na Holanda, por encomenda da Empresa de Pesca de Aveiro. Era um navio moderno, com 71,40 métros, com um porão com capacidade para mais de 1000 toneladas de peixe.



Nos anos oitenta surgiram restriçôes à pesca em aguas exteriores que resultaram na redução da frota e no abate de boa parte dela. 0 Santo André nâo escapou à tendência. A 21 de Agosto de 1997 foi desmantelado.



Sobrava a memôria de um navio emblemâtico e havia que saber preservá-la. Para tanto foram conciliadas ideias e esforços. 0 armador do navio, Antônio do Lago Cerqueira, Lda (Pescas Tavares Mascarenhas, S.A.) e a Câmara Municipal de llhavo decidiram por mutuo acordo transformar o velho arrastâo em navio-museu. Convertido em museu, o Santo André iniciou um novo ciclo da sua vida: mostrar aos presentes e vindouros como foram as pescarias do arrasto do bacalhau; honrar a memôria de todos os seus tripulantes durante meio século de actividade.

A bofetada cinzenta-de Miguel Angel Santos Guerra



Nesta època de Verão em que só apetece férias..praia...descanso e diversão..dei por mim e por circunstâncias pessoais a pensar num artigo de opinião brilhante (como tudo o que escreve Miguel Angel Guerra professor catedrático da universidade de Málaga)..sobre os nossos velhos..desculpar-me-ão os meus leitores portugueses mas apesar do meu castelhano ser bom não ousei traduzir este texto.

".....Verano. Calor y diversión para muchas personas. Para otras, abandono y soledad. Lo saben bien algunos ancianos y ancianas que viven en estas fechas la asfixia de la temperatura y, sobre todo, la asfixia de la soledad. Como resultan un estorbo para algunos planes, sus familiares los dejan en cualquier residencia o, más sencillamente, los dejan solos en la casa.
Susanna Tamaro ha escrito recientemente una novela corta titulada ‘Luisito’. Luisito es el nombre de un papagayo que recoge una anciana solitaria (maestra jubilada, viuda y madre de dos hijos) de entre un montón de basura. El papagayo le brinda la compañía que le niegan los hijos y las personas que la rodean. A su lado recupera las ilusiones y el entusiasmo por vivir. La crueldad de algunas personas pretende privarla también de esta salvífica compañía. Se trata de una fábula compuesta, según las palabras de la autora, “en contra de un mundo inhumano que desprecia a los ancianos”...."
"....He aquí la servidumbre, la desolada realidad. Muchos ancianos se encuentran solos. Muchos se extravían por los senderos de la vida. Porque los han ido aislando. Porque los abandonaron precisamente aquellos a quienes amaron. La soledad es la peor condena de la vejez. A los ancianos se les niega hasta el derecho a la sexualidad. No parece razonable que se enamoren dos personas de avanzada edad y cuando un anciano muestra interés por el sexo opuesto se le califica despectivamente de “viejo verde”… Resulta una broma mordaz aquel reclamo publicitario: “Joven ecologista busca viejo verde”.
¿Por qué no compartir con los ancianos el tiempo, el recuerdo, las emociones de modo que juntos ahuyentemos el miedo a la muerte y a la soledad? Esa sería, a mi juicio, una señal de madurez de nuestra cultura y de nuestra sociedad. No una bobalicona compasión. Esa actitud que clasifica las edades del ser humano en juventud, madurez y ¡qué bien te veo! Nuevamente habrá que recurrir al optimismo. A fin de cuentas, como dice Maurice Chevalier, envejecer no es tan malo cuando se piensa en la alternativa. ¿Y los miles de cosas apasionantes que todavía se pueden hacer (no digo sólo contar)?..."

"...Ernesto Sábato, que sabe mucho de dolores y de ingratitudes, dice en su libro “La resistencia”: “Me avergüenza pensar en los viejos que están solos, arrumbados rumiando el triste inventario de lo perdido”. Creo que la altura moral de una sociedad se mide por el trato que brinda a los ancianos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

ILHAVO HERÓICO POEMA....



A História visual do concelho de Ilhavo..com imagens antigas..da Costa Nova...da Barra...de Ilhavo...fantástico.
Imagens: Carla Ferreira
Música: Canção de Ilhavo do Professor Guilhermino Ramalheira

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Exposições de Pintura no Centro Cultural de Ilhavo

A Exposição João Carlos Celestino Gomes e Cândido Teles, foi dia 5 de Julho inaugurada na Sala de Exposições do Centro Cultural de Ílhavo, prolongando-se até ao próximo dia 26 de Setembro de 2008. Ilhavenses ilustres e já ambos desaparecidos deste Mundo terreno, continuam imortais nas nossas mentes, pela beleza das telas que nos cercam e nos envolvem neste tema do mar...da ria..das nossas gentes.



Tríptico de Cândido Teles


JCCG


JCCG

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Música do Mundo-Israel Kamakawuivo..A diferença é Arte...também



Israel Kamakawiwo (20 de Maio de 1959, Honolulu - 26 de Junho de 1997, Honolulu).
No Havai, de onde é oriundo, sempre foi famoso não só pela música mas pelas letras que exprimiam o amor pela sua cultura e raízes (Israel era descendente de uma linhagem pura de nativos havaianos). Também nunca ocultou a sua posição a favor da independência do Havai e de defesa dos direitos dos havaianos.

Um de seus álbuns mais famosos foi "Facing the Future", de 1993, trabalho que o lançou para a fama mundial, onde consta o tema "Over the Rainbow/What a Wonderful World", uma versão que mistura dois clássicos da música dos E.U.A.: “Somewhere Over the Rainbow”, do filme "O Mágico de Oz"/"O Feiticeiro de Oz", e “What a Wonderful World”, onde apenas se ouvem a sua voz suave acompanhada pelo seu ukelele.

Ao longo da sua carreira musical, Israel debateu-se com muitos problemas de saúde relacionados com o seu peso excessivo chegando a pesar 343 kg, para um corpo com 1,88m. Aos 38 anos, faleceu devido a problemas respiratórios causados pela obesidade mórbida.


NOTA:O Cavaquinho havaiano (Ukulele) é um instrumento semelhante a um pequeno violão.O Ukulele, também muitas vezes chamado de Guitarra Havaiana, tem origem em dois instrumentos tradicionais da Ilha da Madeira. O machete madeirense (também conhecido por braguinha, que por sua vez tem origens no Cavaquinho português) e o rajão (viola de cinco cordas da Madeira), que foram levados pelos madeirenses quando estes emigraram para o Havaí para trabalhar no cultivo da cana de açucar naquelas ilhas.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Viva la Quinta Brigada


Muitos povos celtas como os Irlandeses estiveram em Espanha na 5ª Brigada durante a Guerra Civil ..aqui a minha canção preferida pela voz trovadoresca do Irlandês...Christy Moore

NOTA:Brigadas Internacionais, conjunto de unidades militares compostas por voluntários estrangeiros que durante a Guerra Civil Espanhola lutaram do lado da República.
Combateram em Espanha mais de 40 mil Brigadistas, o maior contigente veio da França e da Alemanha, mas vieram voluntários de todas as partes do mundo, entre os quais portugueses e brasileiros.
As Brigadas perderam cerca de 10.000 voluntários em combate.
Em 26 de Janeiro de 1996 as Cortes concederam a todos os brigadistas ainda vivos a cidadania espanhola, cumprindo uma promessa feita pela República mais de 60 anos antes.

O meu porquê de ser emigrante-Guerra Civil de Espanha


Hoje de manhã ao chamar a minha irmã de Carmela....veio-me à memória a canção....e o motivo pelo qual estou em Portugal..

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Música do Mundo-Mar Azul


No Ponto de Encontro, o cheiro de férias traz consigo aromas de maresia, mar, areia gaivotas, livros e música. Música do Mundo será então a homenagem destas férias do Ponto de Encontro
Nada melhor do que começar pelo encontro de duas senhoras que com a sua voz levam a Língua de Camões por esse Mundo fora.
Cesária Évora-nasceu em Cabo Verde em 27 de agosto de 1941- também conhecida como «a diva dos pés descalços», é a cantora cabo-verdiana de maior reconhecimento internacional de toda história da musica popular. O gênero musical com o qual ela é majoritariamente relacionada é a "morna", por isso também recebe o apelido de "Rainha da morna".
Marisa de Azevedo Monte (Rio de Janeiro, 1 de julho de 1967), é uma consagrada cantora, compositora e produtora musical brasileira.
Marisa é considerada pela revista Rolling Stones Brasil - uma das mais notáveis revistas do mundo no segmento de música - como a maior cantora do Brasil, posto este antes ocupado por Elis Regina.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Clandestinos-A Homenagem deste Ponto de Encontro

http://www.youtube.com/v/Btx2eiQ2gKs&hl=en"><

Hino Nacional-Sem Letra


Muitos dos meus amigos que me telefonaram ou enviaram e-mails, a dar os parabéns pela vitória de Espanha no Campeonato Europeu de Futebol, perguntaram o porquê de os jogadores não cantarem o Hino, tal como se via também o Rei e acólitos ..caladinhos..Não é porque não soubessem a letra é que......

Aqui vai a explicação.

A Marcha Real é o hino nacional da Espanha. É um dos raros hinos nacionais que não tem letra. A música é bastante antiga e data no mínimo de 1761. Foi adoptado e abandonado diversas vezes, sendo promulgado pela última vez em 1997. A última letra foi a Franquista (cujo nome foi mudado para ¡Viva España!), abandonado no final do governo de Francisco Franco.

De autoria desconhecida, a música tem origem numa marcha militar. Quando o rei Carlos III a escolheu para ser usada em eventos oficiais, em 1770, ganhou o apelido de Marcha Real.

domingo, 29 de junho de 2008

29 de Junho de 2008.......Campeã da Europa

Estou feliz...
Sou galega ...sou portuguesa..mas também sou espanhola...e não gosto de boches..e como portuguesa estou vingada e como espanhola...FELIZ

quinta-feira, 26 de junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Mia Couto - Remédios de Deus Pecados do Diabo-Meu Autor Fetiche

"...Remédios de Deus Pecados do Diabo é o seu 23.º romance, um livro sobre o tempo - o passar do tempo - e a capacidade de mentir, o jogo de mentiras, o encenar para poder existir. E é também sobre a morte e o amor numa terra imaginária, Vila Cacimba, lugar que “só existe por via da mentira”, onde quem chega também mente; metáfora de outra cacimba que ora revela ora adensa mistérios e mentiras e enigmas à volta de uma família. “Há mais coisas a descobrir numa família do que numa vista a Marte”, diz Mia Couto citando de cor o autor israelita Amos Oz. “Este livro fala sobre a quantidade de segredos que pode ser desvendada a partir desta incursão no universo familiar. Qualquer que seja a família, esconde sempre segredos”, afirma o escritor no seu falar devagar, pausado, quase sussurro como quando diz que só há pouco começou a sentir que o tempo passa. (…)”.e afirma ainda e brilhantemente:

Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias.
Aos 20 dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias.
Aos 30 pensamos que ninguém mais tem ideias.
Aos 40 achamos que as ideias dos outros são todas nossas.
Aos 50 pensamos que com suficiente sabedoria para já não ter ideias.
Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar.
Aos 70 só pensar já nos faz dormir.
Aos 80 só pensamos quando dormimos....."

sábado, 21 de junho de 2008

Arrais Ançã-Parte II


"...Quem frequenta a Costa Nova, ou quem por ela passa para apreciar uma das salas de visita do concelho de Ílhavo e da Região, talvez nem costume parar junto ao busto do arrais Gabriel Ançã, ali colocado em 1933. E seria bom princípio que todos nos habituássemos a descobrir as figuras gradas da nossas terras, para com as suas histórias aprendermos atitudes de dedicação e de abnegação para com gentes e comunidades. Cunha e Costa, em "Paisagens, perfis e polémicas", escreveu sobre o arrais Ançã, conforme pude ler na "Geografia de Portugal" de Amorim Girão, que ele "salvou para cima de cento e vinte vidas. Ainda novo, perdido estaria a tripulação da barca francesa Nathalie se não fora ele. A mulher do capitão, desvairada pelo terror, atirou-se do convés para o mar: recebeu-a o Ançan (sic) nos braços. Pesava menos que um lenço de assoar, mas como vinha tocada do alto, ainda me fez arrear um bocado os cotovelos". "... Ainda garoto foi dos que foram buscar a Senhora D. Maria II a Ovar. O Senhor D. Luís qui-lo para seu arrais. 'Ainda estou novo, meu Senhor, e aqui não há quem me substitua'. Como intermináveis formalidades burocráticas lhe entravassem, durante três anos, a pensão requerida, tirou-se dos seus cuidados e partiu para Lisboa com dez tostões no bolso... Chegado às Necessidades, respondeu ao familiar de serviço: 'Diga a sua Majestade que é o Ançan, e verá como ele me recebe logo'...E da visita ao Senhor D. Carlos, só lhe ficou o remorso de ter saído de proa, isto é, de costas para o Rei. 'Foi atrapalhação na manobra!'". "Chegou a ver todos os filhos, três, arrais como ele; e era lindo, comovedor e exemplar, ver sair, ao mesmo tempo para o mar, quatro companhas, de quatro Ançans. E se deixou a faina não foi porque já não pudesse fazer-lhe frente. 'Ainda me não assusto, mas já não salto para bordo nem acudo às aflições com a prontidão de outros tempos' e, 'tendo levado a vida a salvar gente, não quero arriscar-me a que me salvem a mim'". O arrais Ançã, que nasceu em Ílhavo, em 8 de Janeiro de 1845, e morreu em 1930, merece ser mais lembrado. E a propósito, João Sarabando, aveirógrafo inesquecível, escreveu em 1962 que "numerosos escritores, oradores e artistas - Luís de Magalhães, Cunha e Costa, Rocha Martins, António de Cértima, Jaime de Magalhães Lima, João Carlos Celestino Gomes, Maia Alcoforado, Abel Salazar e outros, outros muitos - fixaram o perfil do invencível e cândido arrais. Vários desses retratos são maravilhosos, mereciam ser enfeixados delicada, terna, amorosamente, num volume bioiconográfico. Publicá-lo, equivaleria a levantar outro monumento, formoso monumento, ao 'herói do mar' da terra ilhavense, das terras da velha ibéria que o Oceano enlaça. A ideia já surgiu, mas é ainda sonho. Oxalá se corporize". Não sabemos se isso aconteceu, mas ainda estamos a tempo de homenagear o 'herói' ilhavense...."

Texto da autoria do Professor Fernando Martins

O Busto do Arrais Gabriel Ançã na Costa Nova



"...Dizem os entendidos que os heróis não morrem. E o Arrais da terra dos Ílhavos além de herói era santo. Santo laico, já se vê. Destes santos extraordinários que, existindo aos milhares, não estão contudo, nos altares.
Fala-se, invariavelmente, na braveza do mar. Pois Gabriel Ançã era mais bravo do que o próprio Oceano. Mil vezes lutou com ele e mil vezes o venceu. Mais ainda: arrancou cento e três vidas preciosas aos seus tentáculos esverdeados e gigantescos, quando a morte já punha a mesa, com a toalha negra para o festim...
— Ah! mar! mar! Que tu, todo, não cabes dentro do meu cachimbo! — increpou certo dia o Arrais ao ver que as ondas, numa imprevista arremetida, tinham vindo molhar umas roupas que cuidara a recato na areia.
O arrais Gabriel Ançã (Busto de Abel Salazar)
Criado à beira das planícies marinhas — planícies que não raro se transfiguraram em alterosas e crespas montanhas — sabia nadar como um peixe. No seu tempo, fosse no Tejo ou na costa de Aveiro, ninguém lhe levava a palma a fender as vagas. Gabriel Ançã pode e deve ter sido, inclusivamente, como o primeiro grande campeão português da benemérita modalidade desportiva. Pelo menos, como campeão a título honorário...
Vizinho do mar, estudou-lhe as insídias, aprendeu a dominá-lo, a desferir-lhe golpes. A breve trecho, e sem cerimónia nenhuma, já o tratava por tu. Contava apenas dúzia e meia de primaveras quando, fazendo companhia ao patrão Joaquim Lopes, ajudou a salvar os náufragos de uma barca inglesa encalhada no Bugio.
Belo e forte, tostado e decidido, houve-se com tal coragem que logo ali o famoso patrão profetizou:
— Ó Ançã, tu botas homem!
E é que botou, botou um filantropo admirável, um servidor da Humanidade.
Em Abril de 1923, Gabriel Ançã, que conhecera D. Maria II e D. Pedro V, que falara com D. Luís, que teve a honra de ser recebido por D. Carlos, foi abraçado, efusivamente, em Lisboa, no decurso de uma luzida homenagem aos «lobos-do-mar», por António José de Almeida, então Presidente da República. O amplexo dos dois homens de bem, do timoneiro da nau do Estado e do arrais dos barcos de meia-lua, arrancou a mais quente e prolongada das ovações. É que, aos olhos do público, eternamente justo, Portugal acabara de saldar com amor o amor votado ao próximo pelo Ílhavo humilde e glorioso.
Na Costa Nova, ergue-se um monumento singelo ao Arrais Ançã. Nas laudas da História avulta, realmente, imperecivelmente, o nome de Gabriel Ançã. Nas laudas da História e no coração das gentes ribeirinhas — para quem o herói é um paradigma.
Que foi santo, quer dizer, que foi bondosíssimo? Mas ninguém o duvida. Basta que possuía — como disse Américo Teles —, notável museólogo ilhavense que toda a «vila-maruja» justamente venera — uma alma de criança. Ora a alma das crianças é sempre imareada, diamantina como estrelas...
De resto, José Simões Bixirião, num magnífico artigo publicado aquando da morte do Arrais, deu-nos a medida exacta dessa grandeza de alma:
«Havia uma coisa que muito o preocupava e fazia sofrer imenso. Era a triste sorte dos velhos pescadores que jaziam nos seus casebres sem terem pão para comer, porque já não tinham forças nos braços para remar, nem nas pernas para, ao menos, se mexerem a atar cordas no arrastar das redes. E, então, o nosso Arrais, confrangido por ver os seus irmãos do mar sem pão para comer, se tinha lugar, na remendagem das redes, para dois velhinhos, logo empregava nesse serviço seis ou oito. E depois, já /página 6/ menos amargurado e enquanto a sua companha descansava, ele ia às do Norte ou do Sul, e até às da Vagueira e S. Jacinto, e, dizia para os outros arrais:
— Na minha companha já tenho tantos velhos, mas na minha terra ainda há tantos sem pão. Preciso que mos «arrumem».
E, se conseguia o que desejava, que consistia em dar pão a todos ou quase todos os inválidos, a sua alegria era enorme e manifestava-a pagando o alborque...»
Há 117 anos que nasceu o Arrais, vai para 32 que fechou os olhos da cor do mar... Mas, «porque foi um santo sem saber que o era» — como escreveu Junqueiro do Ti Zé-Senhor —, porque foi um herói sem jactâncias — «salvar não é favor, é grande honra» —, maior altura atinge o seu atlético vulto, uma altura descomunal, maior do que a do farol de Aveiro — ou de Ílhavo — com os seus sessenta metros e pico.
Torga afirmou, num dos volumes, que o «litoral português devia formar uma província à parte, esguia, fresca e alegre, só de areia e espuma». Gabriel Ançã, filho do povo, desse povo sublime ainda que tanta e tanta vez incompreendido se não vilipendiado, é um símbolo perene de todo o nosso litoral, da tal província sonhada pelo Poeta.
Numerosos escritores, oradores e artistas — Luís de Magalhães, Cunha e Costa, Rocha Martins, António de Cértima, Jaime de Magalhães Lima, João Carlos Celestino Gomes, Maia Alcoforado, Abel Salazar e outros, outros muitos — fixaram o perfil do invencível e cândido Arrais. Vários desses retratos são maravilhosos, mereciam ser enfeixados delicada, terna, amoravelmente, num volume bio-iconográfico. Publicá-lo, equivaleria a levantar outro monumento, formoso monumento, ao «herói do mar» da terra ilhavense, das terras da velha Ibéria que o Oceano enlaça. A Ideia já surgiu, mas é ainda sonho. Oxalá se corporize.
O busto do Arrais, que ilumina estas esmaecidas, embora votivas regiões, é uma obra-prima de Abel Salazar, existente nessa vera galeria de preciosidades artísticas e etnográficas que enforma o Museu Municipal de Ílhavo. Museu sem preço da gesta popular, museu que urge defender.
No trabalho de Abel Salazar, o Arrais lendário revive gloriosamente. Aquilo não é argila — mas carne, osso e espírito. Irradiando força e bondade, decisão e serena valentia, o Gabriel Ançã do sábio professor constitui, ao fim e ao cabo, um retrato perfeito do nosso homem do mar.
Começámos por escrever com entranhada adoração do ílhavo imorredoiro e bom, e, inadvertidamente, viemos a falar, do mesmo modo, de um artista excelso e não menos bondoso. Mas, que os leitores nos perdoem o termos deixado correr a pena ao sabor do coração... "
JOÃO SARABANDO, in: “O Norte Desportivo” de 8 de Janeiro de 1962,