sábado, 22 de março de 2008

quinta-feira, 20 de março de 2008

Dia Mundial da Poesia- Parte IV


Romaxe de Nosa Señora da Barca¡

Ay ruada, ruada, ruada
da Virxen pequena
e a súa barca!
A Virxen era pequena
e a súa coroa de prata.
Marelos os catro bois
que no seu carro a levaban.
Pombas de vidro traguían
a choiva pol-a montana.
Mortos e mortos de néboa
pol-as congostroas chegaban.
¡Virxen, deixa a túa cariña
nos doces ollos das vacas
e leva sobr'o teu manto
as foles da amortallada!
Pol-a testa de Galicia
xa ven salaiando a i-alba.
A Virxen mira pra o mar
dend'a porta da súa casa.
¡Ay ruada, ruada, ruada
da Virxen pequena
e a súa barca!
Lorca

Dia Mundial da Poesia- Parte III


Monsieur le président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins
Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
« Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir »
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer
Boris Vian

Dia Mundial da Poesia- Parte II


A un Capitán de Navío

Sobre tu nave – un plinto verde de algas marinas,
De moluscos, de conchas, de esmeralda estelar,
Capitán de los vientos y de las golondrinas,
Fuiste condecorado por un golpe de mar.

Por tí los litorales de frentes serpentinas
Desenrollan, al paso de tu arado, un cantar:
- Marinero, hombre libre que los mares declinas,
Dinos los radiogramas de tu estrella Polar.
Buen marinero, hijo de los llantos del norte,
Limón del mediodía, bandera de la corte
Espumosa del agua, cazador de sirenas;

Todos los litorales amarrados del mundo
Pedimos que nos lleves en el surco profundo
De tu nave, a la mar, rotas nuestras cadenas.

(Marinero en Tierra)
Rafael Alberti

Dia Mundial da Poesia- Parte I


Hoje é um dia importante..por muitas coisas mas também por isso..então daqui para todos a minha homenagem à POESIA

A invenção do amor

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de apa-
relhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da
nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com carácter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia
quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e
fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo

Um homem uma mulher um cartaz de denúncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A polícia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta
fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique antes
que a invenção do amor se processe em cadeia........
Autor: anda por aí...

terça-feira, 4 de março de 2008

Visita ao Museu Marítimo de Ílhavo..Fundamental



O Museu Marítimo de Ílhavo conta com quatro exposições permanentes, todas elas de temática marítima, todas elas singulares e dotadas de colecções ricas que são parte do património do Museu. No piso inferior residem as exposições mais identitárias: a Sala da Faina/Capitão Francisco Marques, dedicada ao tema da pesca do bacalhau à linha com dóris, e a Sala da Ria, dedicada às fainas agro-marítimas da Ria de Aveiro. No piso superior do edifício habita as terceira e quarta exposições de carácter permanente – a Sala dos Mares, relativa à memória da expansão oceânica dos portugueses e dos ílhavos e ao papel de abertura e experimentação que nela desempenharam as pescarias longínquas do bacalhau e a Sala das Conchas.
Sala da Faina Maior/Cap. Francisco MarquesTrata-se da exposição mais emblemática do Museu, evocativa da “Faina Maior”, dos homens e “navios de linha” que andaram ao bacalhau. Lugar da memória da pesca do bacalhau por navios de artes de anzol (veleiros puros ou providos de motor), a sala da “faina” exprime um duplo sentido: evocação e homenagem. Em Agosto de 2002, esta exposição permanente foi rebaptizada em homenagem ao Capitão Francisco Marques, último capitão do “Creoula” e Director do Museu entre Outubro de 1999 e Junho de 2001. O discurso expositivo combina o realismo típico dos modos de expor tradicionais com uma certa estilização e com o uso de recursos audiovisuais. O ambiente é ostensivamente lúgubre (a sala é pouco iluminada), mítico e envolvente.A exposição organiza-se em três espaços distintos, como se fosse um grande tríptico: ao centro, exibe-se um belo iate da pesca do bacalhau, construído em madeira por artesãos de construção naval ao longo do ano de 2001. Trata-se de uma representação de um navio típico da década de vinte do século XX. Modelo em tamanho real, a meia água ou cortado pelo limite inferior do convés, permite ao visitante ir a bordo e tocar todos os elementos materiais que eram parte da grande faina, das amarras às vergas, da gauita à pilha dos dóris, a embarcação frágil e esguia que constituía a chave do modo singular como os portugueses fizeram durante séculos a pesca do bacalhau – a pesca com dóris de um só homem. Saindo do convés, pode o visitante observar o que falta no navio percorrendo com minúcia a ala esquerda da sala onde encontrará os principais espaços que ficavam sob o convés, com destaque para a câmara dos oficiais e o porão de salga. A ala direita da sala consiste numa narrativa de viagem desde o apresto e largada do navio e prosseguindo com a viagem e a faina dos dóris até ao regresso. Ilustrada com textos e fotografias de Alan Villiers.
Fonte...Museu Marítimo de Ilhavo

Exposição sobre Barcos Tradicionais Portugueses em Ilhavo



BARCOS TRADICIONAIS PORTUGUESES - navegações, instantes e devoções
Está patente no Museu Marítimo de Ílhavo desde o dia 12 de Janeiro a exposição “Barcos Tradicionais Portugueses - navegações, instantes e devoções”, um belo conjunto de fotografias de Manuel Gardete. O acesso é livre. Patente até 13 de Abril.

Manuel Justo Gardete nasceu em Bissau, República da Guiné-Bissau em 1954. Médico e residente em Setúbal. Viajante e desde sempre amante da natureza e das riquezas do património, a fotografia foi a forma de registo, expressão e memória naturalmente escolhidas. As viagens, o mar e o património natural e construído têm sido, fonte de inspiração e pesquisa. Neste âmbito, participou em algumas exposições, que destaca: “I Bienal de Fotografia da Moita”- Moita -1992 “Comunidades Piscatórias de Setúbal”- Museu Marítimo de Macau - 1995 “Sétimo Salão de Fotografia do Mar”- exposição itinerante organizada pela Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas - 1996 “A Luz de Setúbal”- exposição colectiva com os pintores José Cascada e Luciano Costa no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal – 2003 “Do Sado ao Tejo – Embarcações Tradicionais” - Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal – 2003 “Palhaços – a colecção de Augusto da Graça Couto. Imagens de Pedro Soares e Manuel Gardete” – exposição colectiva na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal – 2004 “Olhar(es) Sobre a Índia” – livraria e editora Som da Tinta em Ourém – 2004 “Do Sado ao Tejo – Embarcações Tradicionais” – Centro Náutico Moitense na Moita – 2005 “Do Sado ao Tejo – Embarcações Tradicionais” – Biblioteca Municipal da Póvoa do Varzim – 2005 “Embarcações Tradicionais do Sado. Um património com futuro” – exposição colectiva de fotografia e pintura no âmbito das Comemorações do Dia Internacional dos Museus - Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal – 2006

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Concerto memorável


Bem...Naõ todo..
A primeira parte ..bom...uma 9ª Sinfonia de Beethoven..bem executada..mas sem "levantar os pelos dos braços"

A segunda parte..memorável!!!!!!!!!!CARMINA BURANA ao nível das melhores interpretações que já ouvi...e ouvi muitas!!!!!!!!!!!!!!!

Executantes:National Radio Company of UKraine

Maestro:Volodymir Sheiko

Coros...fabulosos...

Aos meus amigos da blogosfera de Lisboa...se puderem não percam..irão estar aí em 27 deste mês...No Coliseu.

Carmina Burana:obra do célebre compositor Carl Orff...inspirada numa colecção de cerca de 300 cantos escritos por clérigos e estudantes vagabundos dos séculos XII e XIII, que levaram uma vida dissoluta, fora das regras . Os poemas, escritos na sua maioria em latim incluem canções de amor, de taberna, sátiras, canções carnais. Se não forem...comprem..ouçam..conselho de amiga

Soprano...do melhor que ouvi nos últimos tempos registem o nome:LIUDMILA LAZARCHICHK

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Votação on line...já


Já é possível votar on line nas «Sete novas maravilhas naturais do mundo» aqui e a Região de Turismo Rota da Luz apresentou «com sucesso» a candidatura da Ria de Aveiro.Segundo comunicado da Rota da Luz, «após análise e verificação do processo de candidatura, a Ria de Aveiro foi entendida pela organização “New 7 Wonders” como uma área natural de elevado valor ambiental, tendo sido de imediato adicionada à listagem de maravilhas naturais candidatas».Fazem parte do comité de apoio à candidatura da Ria de Aveiro – New Seven Wonder of Nature, entidades públicas e organismos oficiais. «No entanto e dado o enorme entusiasmo espoletado, a constituição do comité de apoio mantém-se em aberto, procurando abarcar o maior número de participantes», segundo o comunicado.«A apresentação da RIA DE AVEIRO enquanto espaço de água de interesse mundial, no qual se verificam múltiplas realidades e vivências ambientais, com extraordinários recursos naturais é importante para promover a difusão do seu conhecimento e revela o potencial turístico da região de Aveiro», diz também o comunicado...Entretanto, encontram-se em preparação, acções «que irão comunicar o valor estético da Ria de Aveiro no contexto da candidatura, com alcance internacional. O envolvimento dos diferentes agentes do sector turístico, da sociedade civil assim como dos turistas e visitantes, é fundamental para o posicionamento da candidatura na listagem de finalistas à apresentar no ano de 2009».

Fonte: Online News

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Alguns din! Miña Terra...outros dizem..Minha Terra



Hoje sinto-me mais rica que Tu...Tens uma Pátria..eu tenho Duas...Tens uma Língua eu tenho Duas....

Algúns din ¡miña terra!

din outros ¡meu cariño!

i este, ¡miñas lembranzas!

i aquel, ¡ou meus amigos!

Todos sospiran, todos,

por algún ben perdido.

Eu só non digo nada,

eu só nunca sospiro,

que o meu corpo de terra

i o meu cansado esprito,

adondequer que eu vaia

vai comigo.

Rosalía Castro

Dia Internacional da Língua Materna


".....Celebra-se a 21 de Fevereiro o Dia Interncional da Língua Materna. Proclamado pela Conferência Geral da UNESCO em Novembro de 1999, desde Fevereiro de 2000 que se comemora este Dia Internacional, com o obje(c)tivo de promover a diversidade lingu[ü]ística e cultural e o plurilingu[ü]ismo. Este ano, a UNESCO organiza na sua sede em Paris uma conferência internacional, tendo por tema as línguas e o ciberespaço.
Estimam-se em quase 6000 as línguas faladas no mundo, mas cerca de metade está à beira da extinção. Neste contexto, a UNESCO propõe que a Internet contribua para a recuperação das línguas ameaçadas. Assinale-se que o português não faz parte deste conjunto, dado que se crê ocupar a 6.ª posição na lista dos idiomas mais falados no mundo. ...."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pista de gelo em vez da cabeça de Franco



Muito bem a troca ..onde antes estava a estátua do generalissimo Franco..agora uma pista de gelo..sim senhora viva o progresso e democracia da minha terra galega...
"....O venres 15 de febreiro realizouse a apertura da Pista de xeo ao aire libre instalada na Praza Maior onde os veciños poderán disfrutar por primeira vez da patinaxe sobre xeo dende o 15 de febreiro ata o 2 de marzo, no centro da vila nesta nova plataforma de ocio, na que se desenvolverán actividades para colexios, grupos infantís e maiores.A Concellería de Cultura e Xuventude, que dirixe Andrés Sampedro, xestionou os servicios da empresa Hielo Emoción para a instalación da pista de xeo, que mide 15 metros de ancho e 20 de largo e que abrirá ata o 2 de marzo todos os días cun horario de luns a venres entre as 10 e as 14 horas para os colexios e entre as 16 e as 22 horas para o público en xeral, así como as fins de semana, que permanecerá aberta entre as 12 e as 22 horas de xeito ininterrumpido. A pista de xeo ao aire libre ten música, alumeado nocturno e conta con monitores especializados, o que permitirá aos ponteareáns disfrutar desta nova oferta de ocio no centro da vila....."

Ria de Aveiro candidata às Sete Maravilhas Naturais do Mundo


"A Ria de Aveiro é candidata às sete maravilhas naturais do mundo, como «espaço de água de interesse mundial». A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente.A Região de Turismo da Rota da Luz revelou ontem a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro à eleição das sete novas maravilhas naturais do mundo.A instituição liderada por Pedro Silva invoca o sucesso da campanha mundial lançada em 2007 pela fundação «7 Wonders of the World», que resultou na escolha das sete novas maravilhas do mundo, para justificar a iniciativa de candidatar a Ria de Aveiro àquele galardão. A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente, consistindo num modelo em que as candidaturas apresentadas são sujeitas a um processo de escolha final pelo público. A Ria de Aveiro é candidatada como «espaço de água de interesse mundial», esclarece Pedro Silva, aludindo às suas «múltiplas realidades e vivências ambientais com extraordinários recursos endógenos». Esta acção, acrescenta o presidente da Rota da Luz, é «importante» para promover a visibilidade da laguna aveirense «à escala global». «Pretende-se, assim, obter o reconhecimento deste valor universal, sendo certo que o anúncio de candidatura coloca, desde já, a Ria de Aveiro no imaginário mundial dos espaços de elevado valor natural e ambiental», realça o dirigente da instituição. Segundo o responsável, será criado um comité de apoio reunindo organizações públicas e privadas com o objectivo de «apoiar e dar maior visibilidade» à candidatura. «A inserção da Ria de Aveiro na candidatura releva o potencial turístico desta região, com os consequentes efeitos multiplicadores na economia regional», acrescenta Pedro Silva. Em Julho de 2007, a Rota da Luz anunciou que estava a estudar a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro a Património da Humanidade da UNESCO, embora não tivesse revelado prazos para o avanço do processo. A iniciativa contava ainda com a participação da Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro e com o apoio de uma equipa coordenada por Rui Losa, arquitecto que esteve envolvido no projecto que guiou a cidade do Porto a património mundial. "

Fonte: Portal de Aveiro

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cardadores de Vale de Ílhavo...Parte III



Vale de Ílhavo: «Cardadores» não desapontam a assistência


Depois de um domingo contraditório, terça-feira era aguardada com entusiasmo reforçado. A organização incentivou os grupos com verbas e o espectáculo foi melhor do que em 2007
Mais uma vez, a tradição cumpriu-se em Vale de Ílhavo, atraindo a esta pequena localidade do concelho de Ílhavo centenas de pessoas, que quiseram ver passar o cortejo de Carnaval, em que os desvairados «cardadores» foram as estrelas da tarde. Figuras grotescas, os «cardadores» percorrem o cortejo num rodopio, provocando grande alarido à custa dos apitos, sinetas e guizos que trazem amarrados a si e aos bizarros trajes que envergam. O costume dita que usem meias de algodão até ao joelho e roupa interior feminina, de outros tempos. Na cabeça, um enorme toucado feito de fitas coloridas, de diferentes tamanhos, que descem até ao fundo das costas, reforçando a excentricidade destas criaturas do Carnaval popular. O nariz é de forma fálica, que juntamente com as «cardas», os foliões fazem passar pelo corpo das jovens que assistem ao desfile. O seu objectivo, diz quem sabe, é meterem-se com as raparigas, indiferentes ao facto de estarem sozinhas ou acompanhadas pelo namorado. O que interessa é que a festa aconteça. Frenéticos e barulhentos, misturam-se pelo meio do público, que exulta e aplaude. Afinal, foi para ver isto que aqui vieram. Maria de Fátima dirigiu-se a Vale de Ílhavo para, pela primeira vez, assistir a um desfile «do qual já tinha ouvido falar muitas vezes». «Sentia grande curiosidade. Agora, é ver se consigo furar a multidão para espreitar o cortejo», comentou, referindo-se ao aglomerado de público que assistia na berma da principal via da localidade. Por sua vez, Maria Ferreira é já uma habitué nestas folias. «Já vim cá muitas vezes seguidas e posso dizer que, este ano, o desfile está muito mais bonito de ser ver. É que, no ano passado, não prestou para nada», afirma, peremptória. Maior investimento em 2008 João Torrão, responsável pela organização da festa, justifica a opinião da espectadora Maria Ferreira. «Para 2008, percebemos que sem dinheiro não há qualidade. Atribuímos incentivos financeiros a cada grupo, reforçando em 25 por cento o montante. Como tal, houve mais interessados em desfilar. Contámos com mais três grupos do que no ano anterior», explica. Ou seja, dez grupos, com cerca de 400 pessoas, vindos da Gafanha da Nazaré, Ermida e Torre dos Moitinhos. O Orçamento do cortejo ultrapassa os dez mil euros. Sem a contribuição de comerciantes locais, a organização conta com um imprescindível apoio da autarquia ilhavense. «Contudo», queixa-se João Torrão, «é manifestamente insuficiente. A Câmara dá-nos apenas quatro mil euros, que a nossa associação aplica no Carnaval e noutras actividades. Esperamos conseguir negociar esta verba». Fonte: Diario de Aveiro

Cardadores de Vale de Ílhavo...Parte II


Gentes de Ílhavo - Os Cardadores de Vale de Ílhavo
De acordo com alguma documentação que nos foi dada, o Carnaval em Ílhavo é já muito antigo, tendo ficado famoso o de 1897, organizado por um grupo de pessoas que ficou conhecido por "CHIO-PÓ-PÓ".
Segundo os mais velhos, "a tradição já não é o que era", porque ficaram perdidas no tempo algumas figuras típicas carnavalescas como o Homem do Gabão, o Só-com-a-boca... Apenas os Cardadores de Vale de Ílhavo ainda revivem esta tradição. É neste local que todos os anos um grupo de homens mascarados sai à rua, primeiro no Domingo Gordo e depois na Terça- -feira de Carnaval, para assustar os habitantes da terra. Chamam-lhes os CARDADORES.
A Lâmpada: Quanto tempo tem a tradição dos Cardadores de Vale de Ílhavo?
Sr. João Castro Santos: Ninguém sabe ao certo.
L.: De onde deriva a designação de "cardadores"?
J.C.S.: Vem de cardar a lã com cardas e, neste caso, os cardadores "cardam" as pessoas, sobretudo, as raparigas. É aí que tem origem a palavra "cardadores".
L.: Por quantas pessoas é constituído o grupo?
J.C.S.: Depende das pessoas que queiram entrar na tradição. Não há uma regra para isto.
L.: O que é que é preciso para fazer parte do grupo?
J. C. S.: Têm que ser pessoas nascidas na terra e só entram para o grupo rapazes e homens solteiros. O grupo é orientado por dois chefes.
L.: Quando é que o grupo se reúne? E onde?
J. C. S.: Dois meses antes do Carnaval e numa casa destinada aos "cardadores" em Vale de Ílhavo.
L.: Como são feitas as máscaras?
J. C. S.: As máscaras são feitas com cotim, pele de carneiro, cortiça, bigodes de vaca ou de boi, duas asas de ave, fio, gazetas (fitas), fio de vela e "tabu" perfume.
L.: Em que consiste o traje?
J. C. S.: Roupa interior de mu-lher - combinação - um lenço de tricana, meias e sapatilhas.
L.:O que é que costumam fazer nas reuniões?
J. C. S.: Ensina-se os novos a saltar, a roncar, a cardar e a cantar canções.
L.: Qual é a forma de um "cardador" actuar em plena festa?
J. C. S.: Os cardadores saem para a rua e fazem a festa à moda deles: saltam e "cardam" as pessoas que acabam também por entrar na festa. Por fim, confra-ternizam em casa das pessoas que os convidam a beber e a comer.
L.: Quanto tempo foi "cardador"? Gostou?
J. C. S.: Fui durante 12 anos e só deixei no ano passado porque me casei. Gostei muito, porque se convivia.
Fonte: Jornal escolar " A Lâmpada", D. Rosário, funcionária do Museu Marítimo, Sr. João Castro Santos, o ex-cardador e o aluno Mário Rui do 6º D que nos fez o favor de fazer a entrevista.

Os "Cardadores de Vale de Ílhavo"


Enquanto que por este País fora prolifera o "Carnaval Brasileiro" há terras neste Portugal que celebram tradições muito antigas e do Entrudo..é o caso dos Cardadores de Vale de Ilhavo.....
...."Figuras carnavalescas que remontam a finais do século XIX e princípios do século XX e cuja origem se perdeu na memória das gentes, os Cardadores surgem de todos os lados em dias de Carnaval. Desaparecem num abrir e fechar de olhos, reaparecendo cercando as pessoas, soltando gritos, dando saltos enormes que lembram danças guerreiras de algumas tribos de Índios e repetindo em voz de falsete: - Ai tanta lã! Ai tanta lã enquanto passam carinhosamente as cardas nas mulheres com que se cruzam.
A carda começou por ser uma carda a sério. Mais tarde os picos foram substituídos por lixa, sendo actualmente apenas duas tabuinhas lisas. O ritual de saltos e gritos, bem como as suas aparatosas máscaras, crê-se terem origem em costumes trazidos por imigrantes do Brasil......"

Fonte : Alda Viegas

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A Morte no Mar


É o quinto colega de escola que o Mar me leva.
Do JN de Hoje:

"....
António Fradoca, 54 anos, o "Areias", como era conhecido, contava os dias um a um na ânsia de o tempo passar depressa. Estava a sete meses da reforma, mas o descanso do pescador foi ontem brutalmente antecipado num acidente de trabalho no alto mar. Quando estava a colocar as redes na água, no primeiro lançamento da noite, o gancho que prende as correntes das portas que fazem abrir as redes partiu-se, atingindo fatalmente António. O impacto do "gato de ferro", como é conhecido o gancho, e da corrente de aço foi de tal forma que desfigurou o rosto do pescador, que teve morte imediata.

A tragédia aconteceu cerca das 9.30 horas, sete horas depois de o "Beira Litoral", pertencente à empresa Pescarias Beira Litoral", ter saído da Figueira da Foz. O mar estava bom e adivinhava-se uma boa faina de carapau para o arrastão de 30 metros. A 15 milhas (27 quilómetros) da costa, na direcção da Barra de Aveiro, aconteceu o acidente. O mestre, Dário Francisco, só teve tempo de avisar, via rádio, as autoridades e cortar as redes para regressar ao porto de Aveiro. Quando acostaram, cerca das 11.15 horas, já tinham à espera o INEM, a delegada de saúde de Ílhavo, que confirmou o óbito, o representante do Ministério Público e da empresa, a Polícia Marítima e os bombeiros de Ílhavo, que transportaram o corpo para a morgue.

O mestre do barco não tem explicação para o que aconteceu. "Isto é raro acontecer, só ouvimos um barulho e o António já estava no chão, vimos logo que tinha morrido devido à pancada na cabeça", contou Dário Francisco ao JN. Foi o mestre da embarcação e o representante da empresa que deram a notícia, ao final da manhã, à família de António Fradoca, que reside na Costa Nova. Um choque para a mulher e para os três filhos, maiores, um dos quais emigrante na Alemanha.

Os colegas sempre conheceram o "Areias" como pescador. Andou na pesca do bacalhau, pescou em Marrocos e com o avançar da idade ficou mais perto de casa. Estava há cinco anos nas Pescarias Beira Litoral e a sete meses de gozar uma reforma mais do que merecida.
..."